quinta-feira, 7 de março de 2013

Atividade 1

O que escolher para meu filho ler?

            No cenário da literatura atual, os livros infantis estão por todas as partes, como um mar colorido, cheio de bichos, seres encantados, personagens e fantasias. São livros de todos os tipos, desde os sonoros, de mágica, em 3D, aqueles que vêm com adesivos para completar e até mesmo livros de banho, que podem ser lidos literalmente debaixo d´água.
            No entanto, os pais ficam em dúvida com tanta variedade disponível, e não sabem que tipo de livro devem comprar para os seus filhos, se escolhem os livros com o intuito de distrair a criança ou se optam por livros que tenham conteúdo mais educativo. O problema é que, de acordo livreiros, grande parte deles vai à às compras acompanhado dos filhos, o que dificulta bastante a escolha, já que os pequenos são cheios de opinião e já querem fazer as suas próprias escolhas.
            Os livros mais vendidos são os infantis estão entre os mais vendidos do Brasil, e isto se deve ao investimento criativo e tecnológico apostado nesta vertente da literatura, e segundo os proprietários das livrarias, a cada ano a venda dos livros voltados às crianças aumenta. A diversidade e a criatividade investida hoje, resgatou o interesse da criança pela literatura. O interesse também é dos pais, em manter um contato maior com os filhos, aumentando o afeto e confiança.
            Cibele Fernandes de 23 anos é estudante de teatro e contadora de histórias da Hora do Conto, projeto da livraria Vanguarda. Ela sempre se caracteriza de alguma forma, ou encarnando alguma personagem, ou utilizando roupas divertidas. “Procuro interagir com a história, porque assim facilita o entendimento das crianças além de terem um maior entrosamento comigo”, disse ela. Para Cibele, contar uma história não é apenas dizê-la, é sempre buscar um ensinamento, uma lição de moral. “As histórias mexem com a imaginação de quem está ouvindo. Muito mais do que distrair, elas têm o poder de mudar hábitos, de informar, de aguçar a criatividade. Um pai pode descobrir muito sobre seu filho enquanto lê para ele”, acrescentou ela.  
            Pelotas é a cidade natal de um escritor que dedicou dois dos seus cinco livros à literatura infantil. Jorge Braga trabalha como representante de vendas, mas gostaria de poder dedicar-se em tempo integral à literatura. “Tudo que tu conseguires de melhor pra tua vida, vai ser através do conhecimento. Conhecimento é poder. Tu tens que querer ser lembrado pelo teu conhecimento”, disse ele. O autor, que trabalha de forma independente publicou “Dedé Busca-pé e o reflorestamento” e “Dedé Busca-pé e os morangos”, já disponível em sua quarta edição, e está escrevendo ainda um terceiro livro infantil, “Dedé acordada na lua”. “Quando escrevo, procuro fazer com que a criança se interesse por livros em geral. Em meus livros abordo temas como caráter, amizade, companheirismo, amor e respeito pelo próximo, pela natureza e pelos animais”, disse Jorge.
            O escritor pelotense disse que a Dedé resultou da sugestão de um amigo. Ele foi escrevendo os capítulos em manuscritos e mostrando às pessoas, que foram cada vez se interessando mais e querendo saber o que aconteceria com as personagens. O sucesso foi tão grande que ele resolveu publicar o livro. Para o Jorge, na cidade, faltam autores que se dirijam ao público infantil. “Eu não conheço nenhum outro autor infantil na cidade. e faz muita falta. A população costuma valorizar a cultura local”, disse ele. O autor acredita ainda que nas escolas, a literatura não pode ser algo imposto pelos professores. “Não adianta os professores da sétima, oitava série, quererem que os alunos leiam Machado de Assis, por exemplo. Nas escolas a leitura deve ser incentivada de acordo com a faixa etária e os interesses das crianças, do contrário, elas perdem o gosto”. “A criança é muito perspicaz, está sempre muito ligada. As crianças que leem falam melhor, se expressam, argumentam, escrevem bem. Livro é tudo na vida”, disse Jorge.
            Na opinião da psicóloga e especialista em psicopedagogia, Márcia Coelho, quando a criança entra em contato com a leitura, seja ela própria lendo, ou com alguma pessoa lhe contando uma história, ela se sente acolhida, estimulada, incentivada, e através do conteúdo da leitura aprende a fazer associações, desenvolve o raciocínio lógico e os aspectos morais e de valores, como a noção de certo e errado, por exemplo. “A leitura influencia a criança nos aspectos emocionais afetivos, socioculturais, históricos, intelectuais e linguísticos porque a criança entra em contato com outra realidade, com o outro e é nas relações que se constitui como sujeito. Introjeta , assimila apreende, elabora e devolve ao ambiente decodificado. É influenciada pela leitura na sua busca por si mesma”, disse a psicóloga. Márcia disse ainda que a consciência da criança vai se formando através da leitura e de um conjunto de coisas. A leitura faz uma parte importante nesse processo, pois desenvolve vários aspectos, ativando o cérebro e moldando a personalidade. Toda a leitura proporciona a ativação das sinapses, estimulando a memória por exemplo.
            Portanto, quando os pais forem acompanhados de seus filhos a uma livraria , devem tomar cuidado e não permitirem que façam livremente suas escolhas. O conselho da psicóloga Márcia coelho é que “os pais podem oferecer um número de livros e dentre estes a criança escolher. Ela terá o poder de escolha, mas os pais serão responsáveis pelas informações que ela receberá destes livros, de forma que estes sejam apropriados. É importante que a criança possa ter escolhas, isto será interessante como base para o futuro, mas os pais precisam educar, é responsabilidade deles e os livros fazem parte dessa educação”.


Letícia de Oliveira Santos

           

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